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Dicas do Guerra-Peixe III




Por guerrapeixe • 3 | May | 2009 • Caderno: Handebol de Areia

Ola Amigos!

1. A formação das equipes de Handebol de Areia tem acontecido através da reunião de amigos ou colegas de clubes de Handebol. Alguns já aposentados. Outros momentaneamente parados e alguns atuando em campeonatos estaduais sem muita expressão. Como referido anteriormente, tudo passa pelo caráter recreativo e praieiro. Acontece que num dado instante essas equipes resolvem pensar no desporto de competição. Nasce daí uma grande dúvida: como associar amigos com o desejo de vitória nas competições estaduais e nacionais? Sabemos que o resultado (1º a 3º) em competição nacional dá direito ao atleta pleitear a “bolsa atleta” do governo federal. Alguns Estados têm as mesmas bolsas, com valores superiores. Desta forma, muita gente fica no dilema entre os amigos e os jogadores que fazem diferença. Nesse caso recomendo que as equipes treinem. Pois o jogador comum treinado, pode ser mais útil que aquele que faz diferença sem treinamento. Gostaria de citar como exemplo o HCP da Paraíba feminino. Bi-Campeões do Brasil, essa equipe não tem nenhuma atleta na seleção brasileira da modalidade. Entretanto, sua força está na capacidade do técnico Rômulo Batista, na união e no treinamento.

2. Outro aspecto bastante relevante na formação de uma equipe é a “vaidade”. No meu entendimento, nada pode ser tão devastador para uma equipe de Handebol de Areia como a pessoa “vaidosa”, que joga pensando exclusivamente em si. Não é a vaidade de estar esteticamente bonito ou com um belo uniforme. Mas a “vaidade” nascida da necessidade de aparecer para todos como um goleador ou o melhor em qualquer coisa. Nas competições onde se premia, essa deformação fica mais exacerbada. A disputa passa a ser dupla: uma luta pela vitória e outra pelo prêmio. Por ser um desporto onde os atacantes jogam em superioridade, existe a facilidade de consignar gols. Entretanto, é necessário que muitos façam gols, sob pena de chegar o dia ou o jogo, em que o “vaidoso” não esteja numa boa hora e a equipe venha a perder. Tenho acompanhado inúmeras situações dessa natureza e afirmo sem piedade, um ótimo jogador “vaidoso” não joga comigo.

3. Ao longo da minha trajetória profissional sempre fui “colérico” com árbitros e atletas. Já ganhei e perdi muito com isso. Mas hoje considero uma distorção que teve origem na minha formação e na falta de estrutura de toda ordem das equipes que dirigi. Um jovem técnico que tem que pensar em pagamento de arbitragem, atletas impontuais, impossibilidade de treinar, transporte, violência, responsabilidade com filhos dos outros, uniformes, carteirinhas, federação e quem vai apitar… Não pode ter a cabeça no lugar para exercer bem a função. Quando por dois anos dirigi uma equipe profissional não fui desqualificado uma única vez. Melhorei com o tempo, mas quem tem esse problema é como o alcoólatra: não se cura, controla. Hoje me sinto à vontade para abordar esse assunto. Considero que na areia, técnicos com essa característica tendem a ser muito prejudiciais para suas equipes. Os atletas têm o sol na cabeça, areia no corpo, vento atrapalhando, superioridade como risco e inferioridade para resolver. Imagina um técnico gritando por qualquer motivo no seu ouvido. O mais preocupante é que esses técnicos normalmente trabalham com equipes jovens. Esses atletas tendem a ter sua criatividade inibida, exatamente num jogo onde a criatividade é absolutamente primordial.

Reflitamos!!!!

One Response »

  1. É com muita satisfação que vejo mais esse espaço sendo aberto ao Handebol de Areia. E ninguém mais indicado que o nosso técnico Campeão do mundo para trabalhar no desenvolvimento da modalidade através de textos como esses, que nos passam um pouco de sua experiência nessa modalidade.

    Parabéns ao Guerra pelos textos e parabéns ao site pela iniciativa do convite.

    Estaremos sempre antenados.

    Grande abraço.
    Prof. Marcio Magliano
    Rio Handbeach

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