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Europeu de Vôlei Feminino chega à reta final; Sul-americano, com nível técnico bem mais baixo, também chega à fase decisiva (02/10/09, 22h23min)




Por pablo • 2 | Oct | 2009 • Caderno: Vôlei

Ao contrário do Torneio Sul-americano de Vôlei Feminino, o Campeonato Europeu da mesma modalidade apresenta nível técnico bem mais elevado e, consequentemente, jogos que atraem mais a atenção do público.
É bem melhor ver equipes como a Polônia, a Holanda, a Itália e a Alemanha, que inclusive são as 4 semi-finalistas do torneio europeu, do que as seleções sul-americanas que enfrentam o Brasil. Hoje, em Porto Alegre, a seleção nacional derrotou a Argentina por 3 sets a zero, com parciais de 25-15, 25-15 e 25-23. Foi um jogo mais equilibrado que os anteriores, mas as jogadoras argentinas só exigiram mais das brasileiras no último set. Há, sem dúvida, uma grande diferença técnica entre os times que disputam o Sul-americano.
Insisto no mesmo assunto abordado em texto recente até para aproveitar a deixa da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Ao longo de todo o dia de hoje, 02/10, a capital fluminense e todo o Brasil fizeram enorme festa em torno da vitória carioca. Claro que se trata da mais importante competição esportiva mundial. É óbvio que para a comunidade esportiva nacional será de grande importância a vinda da Olimpíada para cá. Mas não se deve esquecer de que a organização de um evento como esse envolve muito dinheiro e a preparação de uma estrutura capaz de receber gente de todas as partes do mundo. Será que a capital do Rio de Janeiro tem transporte público capaz de garantir o deslocamento de milhares e milhares de pessoas que vão se juntar à gigantesca população da segunda maior cidade do país? Capacidade hoteleira não existe. O próprio relatório do Comitê Olímpico Internacional-COI-deixa bem clara a necessidade de mais acomodações nos hotéis. E a questão da violência, que parece ter sido ignorada pelo mesmo comitê, é algo que preocupa a todos (ou pelo menos deveria preocupar).
Não basta ser brasileiro na hora de torcer. É preciso lembrar o exemplo dos Jogos Pan-Americanos de 2007, quando se construiu toda uma estrutura para receber diversas modalidades esportivas, mas não houve cuidado com o dinheiro público. O orçamento inicial foi superado em milhões. E mais uma vez, não houve respeito pela população, que, hoje, foi à praia de Copacabana apoiar o projeto liderado pelas mesmas pessoas que conduziram o Pan. Será que todos se esqueceram disso?
É Justamente pela falta de cobrança da população, que falcatruas ocorrem e que o dinheiro público é mal empregado. Se as coisas fossem feitas de maneira correta, não seríamos um país de um esporte só. Além do Futebol, e mais recentemente do Voleibol, não há apoio governamental significativo para a prática esportiva. Nas escolas públicas, onde a disciplina de Educação Física deveria ser valorizada, não há quadras esportivas para os alunos se dedicarem ao esporte. E a realidade brasileira se estende pela América do Sul. Esse continente que receberá pela primeira vez os Jogos Olímpicos, não tem grande representação mundial nas modalidades esportivas de maior destaque. Como exemplo, tomo o próprio Voleibol Feminino, alvo desse texto. A falta de competitividade no Campeonato Sul-americano reflete a falta de investimento e de seriedade dos governos latinos no esporte. Governantes comprometidos com o fim da desigualdade social usam a educação e o esporte como armas na luta contra os problemas sociais. E não é o que ocorre em países como o Brasil, O peru, a Venezuela, a Bolívia e tantos outros do mesmo continente. Ao contrário da Europa, onde encontramos países mais desenvolvidos e realmente interessados com o bem-estar social, a América do Sul vive dias deprimentes. Na política e no esporte, assistimos ao atraso que assola vários povos. Infelizmente, nosso continente tornou-se berço de ditadores, que suspendem direitos constitucionais básicos sem o menor pudor. Com raras exceções, o que vemos por esses lados de cá é um triste panorama de atraso e retrocesso.

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