Legal, mas imoral. – 27/02/2010 – 09:30 horas
Por aga • 27 | Feb | 2010 • Caderno: Basquete
No mês de fevereiro fui arrolado como testemunha de defesa em uma ação trabalhista movida por um jogador de basquete contra um seu ex-clube. Não quero aqui discutir e muito menos ter a pretensão de criticar os direitos trabalhistas de qualquer cidadão, mas quero apenas usar este espaço para fazer algumas considerações. Quero deixar claro que sei que não existe uma pessoa na face da Terra que seja perfeita, todos nós somos passiveis de cometer erros, muitas vezes o cometemos com a intenção de acertar, mas entendo que quando um atleta vai à justiça do trabalho, mesmo com o clube pagando todos os seus salários, enxergo isto como um ato imoral, mesmo sabendo que legalmente ele tem todo o direito de ir atrás de seus direitos trabalhistas. Nos últimos tempos tenho visto pessoas que literalmente, com perdão das palavras, “cospem no prato em que comeram ou ainda comem”.
Falando especificamente de casos no basquete brasileiro, vejo e ouço comentários de que muitos deles que procuram a justiça do trabalho são motivados por interesses pessoais contrariados, não tiveram seus contratos renovados ou porque estão chegando ao final da carreira. Geralmente, pelo menos de alguns casos que conheço ou até quando fui arrolado como testemunha de defesa do clube, alguns atletas se utilizam de métodos sórdidos, nefastos e desonestos para tentarem levar alguma vantagem financeira. Como é frustrante ver atletas agirem de má fé para justificarem seu fracasso pessoal ou profissional. Conheço alguns atletas que levaram seu ex-clube na justiça do trabalho, felizmente, é uma pequena minoria, insignificante até, se compararmos com a grande quantidade de atletas que temos no país, mesmo tendo recebido todos os seus salários.
Conheço também muitos clubes que perderam patrocinadores ou até encerraram suas atividades por terem sofrido ações trabalhistas, muitas delas, motivadas por atletas que faltaram com a verdade, não tiveram consideração ou gratidão, por desespero, problema financeiro ou até de caráter mesmo. Entendo que chegou o momento da Liga Nacional de Basquete (LNB), entidade que vem revolucionando nosso basquete, criar alguns mecanismos para proteger os clubes que são “penalizados” por terem dado espaço e trabalho para alguns atletas e técnicos. Como afirmei anteriormente, não estou questionando o lado legal da ação, questiono sim o lado moral, quem vive e trabalha no esporte sabe do que estou falando. Muitos clubes do Brasil mantém suas atividades porque têm alguns dirigentes ou técnicos que fazem de tudo para ver o esporte de seu clube ou cidade prosperar, muitos fazem por ideal ou amor ao esporte.
Por isso, faço questão de aproveitar a oportunidade e o assunto deste artigo para deixar registrada minha opinião que nada é tão frustrante quando vejo um atleta agir de maneira desleal, desonesta, hipócrita e imoral contra um clube ou um patrocinador que lhe deu todas as condições para executar suas atividades profissionais. Pena que por ética profissional não posso citar o nome de alguns deles que por agirem desta forma conseguiram destruir seu nome e sua imagem no meio em que trabalha. Muitos mentem descaradamente. Sei que existem muitas falhas na legislação esportiva, normalmente nos baseamos em leis arcaicas, como é a da justiça do trabalho, porque não podemos de maneira alguma considerar um atleta, que pela legislação, é um atleta amador, de buscar seus direitos trabalhistas como se fosse um trabalhador comum. Tínhamos que ter uma legislação própria para os atletas brasileiros, esta é minha opinião.
Muitos que estão lendo este artigo podem até não concordar comigo, afirmando que todo trabalhador tem que ter seus direitos preservados, concordo, mas meu objetivo aqui é fazer com que comecemos uma discussão ampla e irrestrita a respeito do assunto, para que futuramente possamos legalmente proteger, ao mesmo tempo, clubes, patrocinadores, atletas e técnicos, que trabalham com honestidade e acreditam no basquete brasileiro, de pessoas ou atletas mal intencionados que só pensam em levar vantagens pessoais e financeiras.
Marco Antonio Aga.