Archive for the 'Tênis' Category

Tão perto, mas tão longe do Grupo Mundial (13/05/09 – 22h00)

 

A Federação Internacional de Tênis (ITF) foi responsável, nesta última semana, pelo principal acontecimento do tênis brasileiro nos últimos tempos. O Brasil, sabe-se lá como, será cabeça de chave nos Playoffs da Copa Davis que levarão os vencedores dos confrontos ao Grupo Mundial. Não bastasse isso, o sorteio nos reservou um confronto dos sonhos: Equador, em solo brasileiro. Essa condição é extremamente favorável: escolher a superfície, local e contar com o apoio da torcida são elementos fundamentais em confrontos da Davis. O Brasil é favoritíssimo, pois além disso, o time é um pouco melhor.

 

Evidentemente o confronto não está ganho, embora bem encaminhado. O Equador deve vir para a disputa, em Setembro, com os irmãos Lapentti. Nicolas, o mais velho, tem uma carreira respeitável. Jogou em alto nível por muito tempo e hoje aproveita seus últimos momentos no circuito. Giovanni, o mais novo, nunca vingou. Já teve alguns bons resultados no cenário sul americano, mas nunca chamou atenção em termos mundiais. Os dois defendem o Equador na Davis há muito tempo e compõem a dupla. Se fosse possível, nem de equipe precisariam. Acumulariam as funções de capitão, preparador físico, etc.    

 

Mas o que preocupa não é o adversário e sim a própria equipe brasileira. Excluindo-se o recente boicote dos principais jogadores, nunca tivemos uma equipe tão fraca. Hoje não temos nenhum jogador no Top 100. Acho que só a ITF consegue enxergar alguma coisa no time brasileiro para colocá-lo à frente, por exemplo, de Chile e Itália, no ranking para definição dos confrontos. É claro que o time não tem só defeitos. Thomaz Bellucci é um jogador em ascensão embora seu ranking não demonstre isso. Porém não temos um segundo jogador confiável. Marcos Daniel, que poderia ajudar, brigou com a CBT. Os demais ou não têm bagagem ou já passaram do momento de explodir. Nossa dupla vive seu pior momento. Os resultados não apareceram esse ano. Caso a má fase persista, é a oportunidade para convocar o Bruno Soares que não pára de subir no ranking de duplas e já é o melhor brasileiro classificado. Outro ponto fraco é o técnico. Francisco Costa não tem história no tênis para ocupar o posto. E a CBT, será que vai optar por jogar em um local que privilegie tecnicamente o jogo do Brasil ou que favoreça seus “interesses”?

 

Fonte: Google imagens - gbaraujo.com

Fonte: Google imagens - gbaraujo.com

(Saudades da época em que o Brasil era  temido e fazia de seus confrontos em casa  um verdadeiro inferno para os adversários)

 

Ai fica a reflexão. Será que vale a pena voltar ao Grupo Mundial e se iludir de que o tênis brasileiro está progredindo? E o ano que vem no Grupo Mundial? Vai encontrar com EUA, Espanha, Suiça, França, República Tcheca, Argentina, Croácia, etc. E aí vai perder de 5 x 0. Já foi mudado o presidente da CBT, o capitão da Davis, mas o Brasil está cada vez mais à margem do tênis de alto nível. Resta torcer para que essa mãozinha da ITF seja utilizada de maneira positiva, para colocar o Brasil de volta no cenário internacional.

 

Daniel de Oliveira

 

 

 

Marcos Daniel vence Cañas, Ljubicic e a convocação da CBT (07/05/09 – 21h50)

Depois de ficar mais uma vez de fora do time da Davis, Marcos Daniel encontrou uma de suas maiores vitórias na carreira: 2 sets a 0 sobre Ivan Ljubicic, logo após derrotar Guillermo Cañas na estréia de Belgrado.

Os críticos de plantão podem falar muito que Cañas e Ljubicic estão em fim de carreira, além de o torneio ainda não ter expressão no circuito, porém vencer esses tenistas é sempre algo importante, já que o jogo mental tem um grande peso no tênis e certamente é isso o que tem demonstrado o gaúcho Daniel na Sérvia. Aliás, depois dos grandes Guga e Meligeni, parece que a força psicológia é o ponto fraco de nossos tenistas atuais.

Acompanhar Marcos Daniel em quadra é sempre uma experiência diferente do que se acostuma ver em outros atletas famosos do circuito. Um tenista experiente, de um jogo clássico e sem grandes golpes marcantes nem potentes, porém um atleta muito regular e dedicado. Não é moleque, tem 31 anos (aliás, Ljubici tem 30) e obviamente não há muito mais tempo de carreira pela frente. Ainda assim, sempre mostrou descontentamento por ser e estar entre os melhores brasileiros do ranking e não ter seu espaço no time da Copa Davis, além de não ter deixado maus exemplos ao longo da carreira. Em entrevista ao Tenisbrasil, Daniel deu mais um exemplo de sua postura e foi muito polido e reforçou estar triste por não estar convocado e integrando o time que vai enfrentar os colombianos.

O desempenho de Marcos Daniel no ATP 250 de Belgrado é respeitável, considerando seu histórico pessoal e os nomes enfrentados. Enfrentar um jogador com menos nome, porém melhor fase (Andreas Seppi), será outro grande desafio. Que bons ventos soprem na direção de Marcos Daniel!

Edu K
Esporte Diário

Master 1000 Miami: os bastidores de um grande evento (08/04/09 – 18h30)

 

 Tive a oportunidade de viver no mundo do tênis por 7 dias. Uma semana acompanhando in loco um torneio do porte do Master de Miami (Sony Ericsson Open) é um sonho para qualquer amante desse esporte. O chamado “5º Grand Slam”, contou com a presença de todas as estrelas do tênis, tanto pela fama como pelo ranking, à exceção de Maria Sharapova e Nikolay Davydenko. Utilizarei esse espaço para contar um pouco dos bastidores desse evento, sob os olhares de quem passou em média 12 horas por dia no Crandon Park, acompanhando de perto um evento muito bem organizado. 

 

A proximidade entre fãs e ídolos

 A organização do evento é sem dúvida voltada para o público. Pelo que vejo e já presenciei, acredito que seja o torneio em que há maior proximidade entre fãs e ídolos. Todos os dias há sessões de autógrafos, entrevistas, etc. Sem contar a acessibilidade aos treinos, um dos pontos-chave no contato com os profissionais. Há também promoção do evento em pontos da cidade, com a presença de jogadores, o que ajuda a criar um clima ainda mais festivo e voltado para o tênis em Miami. Além disso, você pode encontrá-los em restaurantes da cidade. Tenista adora uma badalação. Eu mesmo encontrei Gilles Simon uma noite, véspera de sua estréia. Estilo de garotão, simpático, e pelo que notei reconhecido e abordado apenas por mim. Estava lá tomando uma cerveja, fumando, mas parou por aí. Logo chegaram Fernando Verdasco e Alize Cornet, para um evento promocional do torneio que acontecia no mesmo local. Distribuíram autógrafos, tiraram fotos. Voltando ao torneio, a distribuição física do parque também contribui para que haja essa proximidade. As quadras, tanto de jogo, quanto de treino, ficam muito próximas, e em pouco tempo consegue-se percorrer todo o Complexo. Cruzar com os atletas torna-se algo aparentemente comum.

A proximidade destacada permite a abordagem aos jogadores. À exceção de Nadal, Federer, Ivanovic e mais um ou outro que gozam de uma blindagem até excessiva em alguns momentos, os demais são acessíveis e em sua grande maioria são simpáticos e atenciosos. A blindagem excessiva com Ana Ivanovic é que não pareceu muito legal. Não que uma tenista do seu porte não precise, mas ultimamente seus resultados não são dignos de tamanha escolta, que pouco permitia o contato com os fãs. Sinceramente a mim não incomodou, mas deu para perceber que muitos se frustraram com o pouco contato permitido com ela, que já foi mais humilde. Aí vai uma dica: a abordagem com qualquer tenista deve ser feita com cuidado e educação. Não queira interromper o treino para pedir uma foto, um autógrafo ou mesmo abordá-los quando eles(as) demonstram estar apressados ou avessos naquele momento ao contato com o público. Espere acabar o treino, procure um momento de maior tranqüilidade, em que o tenista está mais suscetível a uma aproximação e aí sim, solicite uma foto ou alguma outra coisa que desejar. Felizmente, todas as abordagens que fiz foram bem sucedidas: as fotos com as belas e simpáticas Dominika Cibulkova e Maria Kirilenko e ainda com Del Potro, Andreev, Acasuso, Melzer e Marcelo Melo sem dúvida são uma recordação e tanto.

 

Os treinos

Uma coisa não pode ser negada: tenista treina muito. Foi curioso ver a diferença no comportamento deles durante o treinamento. A seriedade e concentração tanto de Federer como de Nadal é de se chamar a atenção. Nadal, por exemplo, pouco fala, assim como seu tio e técnico, que dita o ritmo do treino, mas de maneira muito discreta. O diálogo é quase imperceptível. Já Federer, sem treinador e com uma espécie de ajudante, além de um sparring, evita o contato com os espectadores. No entanto, posso garantir que é sensacional assistir ao seu treino. O suíço bate na bola com uma facilidade incrível. Por outro lado, Djokovic, Roddick e Murray treinam mais descontraídos. O sérvio e o americano são falantes, esboçam algumas risadas. O escocês joga até um “futênis” bastante animado com sua equipe durante o aquecimento.

Os grandes jogos

Sem dúvida o jogo entre Del Potro e Nadal foi o melhor do torneio. A vitória heróica do argentino, que se recuperou de 0X3 no 3º set e pressionou o espanhol o tempo todo com seus golpes potentes mostrou que não há tenistas imbatíveis e que mais gente vai começar a incomodar a dupla que reina há tempos no circuito. Outro jogo marcante foi Safin e Monfils no Grandstand (quadra mais acanhada e que costuma ser palco de jogos emocionantes). O russo sacou em 5X2 no 3º set e conseguiu levar a virada (7X6). A partida foi marcada pela emoção. O estilo despojado e “moleque” de Monfils e a irritação freqüente de Safin (que, aliás, é um dos pontos de diversão e delírio do público que até mesmo aplaudiu quando o mesmo quebrou uma de suas raquetes) mesclada a jogadas de um monstro do tênis foram os ingredientes de um confronto espetacular. Tsonga e Simon também fizeram um grande jogo, no mesmo Grandstand. Os dois tenistas não aliviam em nenhum momento. Ambos conseguem aliar força e técnica de maneira impressionante. Poderia listar aqui outros tantos, mas esses 3 refletem bem o que foi o torneio.

 

Os jogadores(as) que me marcaram

Jo-Wilfried Tsonga: o francês dá show na quadra. Estilo de jogo agressivo, alegre, é um prato cheio para o espectador. Além disso, o rapaz é de uma educação e simplicidade acima da média. Será Top 10 em poucos meses e Top 5 em 1 ou 2 anos. A partir de agora sou seu torcedor.

Marat Safin: esse é fera. É uma pena que esse deva ser o último ano dele no Circuito. Tem um talento absurdo, um estilo polêmico e ao mesmo tempo cativante. Mesmo que esbraveje em quadra, o público está com ele. Não é a toa que em seus jogos havia um grupo de jovens com as letras do seu nome pintadas no corpo e que seguravam um cartaz com o seguinte dizer: “PLEASE, DON’T GO”

Andy Murray: treina muito, é regular ao extremo. É uma realidade e uma ameaça cada vez maior aos intocáveis Nadal e Federer. Muito determinado.

Juan Martin Del Potro: o gigante argentino mostra a cada dia que tem força para brigar no topo. Agride o adversário o tempo todo. Excelente jogador.

Dominika Cibulkova: tem estilo, charme e jogo bonito de se ver. São credenciais mais do que suficientes para acompanhar os jogos da eslovaca. Em Miami teve que abandonar o jogo da 3ª rodada no 5-5 do 3º set por conta de câimbras que a fizeram ir ao chão. Movimenta-se demais na quadra, bate bolas profundas, tem espírito guerreiro e ainda é muito jovem. Espero que vá longe, já está entre as 20 melhores. É um dos melhores atrativos para acompanhar o circuito feminino.

Victoria Azarenka: pouco tinha ouvido falar da moça. Jogou um tênis de primeiro nível e foi campeã com justiça. Quem sabe não seja mais uma para brigar com as irmãs Williams.

 

Fatos inusitados

  • Assisti a uma derrota dos irmãos Bob e Mike Bryan, na semi-final, para uma dupla australiana desconhecida
  • Presenciei uma derrota de Rafael Nadal
  • Fui testemunha do jogo de comadres que Venus e Serena Williams fazem quando se enfrentam. Ridículo!
  • Como souvenir trouxe uma bolinha oficial do torneio danificada no treino da Cibulkova com a Petrova
  • Assisti a um jogo (empatado) com desistência por câimbras: Cibulkova diante de Medina Garrigues
  • Presenciei mais um vexame de Lleyton Hewitt, praticamente um ex-jogador em atividade, que levou uma aula de Gilles Simon. Até o público ficou constrangido
  • Fui testemunha do saque mais rápido do torneio, do Taylor Dent, 143 Mph ou 230 Km/h
  • Entrei sem saber, de curioso, em uma área ao lado da quadra reservada apenas para a equipe técnica e convidados dos jogadores, mas fui convidado a me retirar 5 minutos depois, durante o aquecimento para o jogo entre Kirilenko e Pennetta
  • O jogo entre Blake e Berdych terminou tão tarde (00h30), que a organização do torneio, como prêmio, convidou todos os ainda presentes (entre eles eu) para ocupar os assentos próximos da quadra a partir da metade do 3º set
  • Constatei a admiração acima do normal que o público tem por Roger Federer. Mesmo diante de Andy Roddick, tenista da casa, a maior parte da torcida estava do seu lado
  • Foi o segundo torneio de grande porte que acompanhei de perto e em ambos não pude assistir a jogos de Richard Gasquet. Vontade não me faltou. O problema é que em ambos ele desistiu poucas horas antes de sua partida de estréia. Nas duas vezes cruzei com ele antes da partida e o mesmo parecia muito bem. No final alega contusões misteriosas. Sua carreira não deslancha, apesar do imenso talento.

 

Fotos do torneio 

Dominika Cibulkova

Dominika Cibulkova

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria Kirilenko

Maria Kirilenko

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Roger Federer

Roger Federer

 

Rafael Nadal

Rafael Nadal

 

Marat Safin

Marat Safin

Andy Murray

Andy Murray

 

Simon x Tsonga

Simon x Tsonga

Andy Roddick

Andy Roddick

Novak Djokovic

Novak Djokovic

Se tiver a oportunidade, não deixe de ir a um evento como esse. Vale a pena!

Daniel de Oliveira

Passada a 1ª rodada da Davis, é a vez da série Masters 1000 (11/03/09 – 15h45)

No último final de semana ocorreu a primeira rodada da Copa Davis. Pelo Zonal Americano, o Brasil conheceu seu adversário: será a Colômbia, anfitriã do confronto. O Brasil não pode nem pensar em perder. E não me venham com história de que haverá dificuldade por conta da altitude.  A Colômbia não tem nenhum jogador de muita expressão no Circuito. Já no Grupo Mundial (1ª divisão), Espanha, EUA, Argentina, Croácia, Rússia e Alemanha confirmaram o favoritismo. Israel foi a surpresa diante da desfalcada Suécia. No confronto mais equilibrado, República Tcheca e França, deu os tchecos, que desbancaram Gilles Simon em 2 partidas e venceram um ponto dificílimo nas duplas. Stepanek e Berdych bateram Gasquet e Llodra. Tsonga, em ótima fase, pontuou para os franceses, mas não foi suficiente. Dessa forma, a França com um arsenal de ótimos jogadores vai parar na repescagem. Tomara que não cruze o caminho do Brasil.

 

Voltando ao calendário da ATP e WTA, inicia-se nesta semana a série Masters 1000, antiga Master Series, com os torneios de Indian Wells e Miami. Podemos considerar ambos mini Grand Slams, os maiores entre os Masters 1000 (que dão ao vencedor 1000 pontos no ranking). São torneios com duração de uma semana e meia, com 7 rodadas, sendo que os 32 cabeças de chave começam sua participação na 2ª rodada. Além disso, são os primeiros grandes torneios em que poderemos ver os tenistas atingindo o melhor da sua forma, depois de mais de 2 meses de temporada. Em 2008, os campeões foram os seguintes:

Indian Wells: Novak Djokovic e Ana Ivanovic

Miami: Nikolay Davydenko e Serena Williams

Em Indian Wells, o primeiro deles, a ausência das irmãs Williams e de Sharapova, que atuará apenas nas duplas (voltando ao Circuito depois de mais de 6 meses), deixa o torneio esvaziado. É a oportunidade para que as pouco vencedoras Dinara Safina, Elena Dementieva e Jelena Jankovic, além de Ana Ivanovic, em péssima fase, disputem o título entre si.

No masculino a briga será maior, pois as grandes estrelas estarão presentes. Roger Federer de técnico novo e sangue nos olhos após nova derrota para Nadal na Austrália, promete grande performance. O espanhol não precisa nem falar, chega bem novamente. Djokovic e Murray também devem brigar. Além deles, acredito que Roddick, cujo jogo tem evoluído, e Tsonga em franca ascensão, vão incomodar.

Serão quase quatro semanas de tênis no mais alto nível. No Brasil haverá cobertura quase full time do Sportv.

 

Daniel de Oliveira

A semana em que o tênis brasileiro voltou a respirar (15/02/09 – 00h00)

Depois de um longo período em que o tênis brasileiro só colecionou momentos críticos, chegando ao fundo do poço, dois fatos nesta última semana trouxeram de volta a esperança de dias melhores: primeiro, o anúncio da contratação pela CBT de Emilio Sánchez para assumir a coordenação do tênis no país e depois, o ótimo resultado de Thomaz Bellucci no Brasil Open.

A contratação de Emilio Sánchez talvez seja a última cartada na tentativa de obter êxito no desenvolvimento do tênis do Brasil, aproveitando o legado deixado por Guga. O espanhol foi um grande jogador, técnico e é uma das figuras mais respeitadas no meio. Modelos como os adotados na Espanha, na França e na Argentina devem ser olhados com carinho e adaptados para a realidade brasileira. Não esperemos nenhuma mudança significativa no curto prazo. A reformulação do tênis no país está apenas engatinhando.

Sobre Thomaz Bellucci, embora ainda sem resultados expressivos, à exceção do Brasil Open, dá para acreditar que se trata de um tenista bastante promissor. Sua mentalidade é diferente de outros jogadores brasileiros que tiveram o seu momento e não aproveitaram. Com um jogo cada vez mais firme, Bellucci mostra que poderá figurar em breve entre os 50 melhores do mundo. É importante ressaltar que o torneio realizado na Costa do Sauípe, embora contasse com jogadores de bom nível como Robredo, Ferrero, Acasuso, Almagro, não está entre os eventos com maior grau de dificuldade. Mas já se nota a evolução do garoto de 21 anos. Confiança, no tênis, é fundamental para obter êxito e ela só é conquistada com o acúmulo de vitórias. Esse é o caminho Bellucci.

Daniel de Oliveira

Australian Open: a análise do que foi o primeiro grande evento do tênis no ano (01/02/09 – 11h40)

O primeiro grande torneio do ano

Considero que o AO, primeiro Grand Slam do ano, ficou dentro das expectativas. Para início de temporada, não poderíamos exigir performances espetaculares, os tenistas ainda estão longe de sua forma ideal. Prevaleceu o equilíbrio, a superação e, no final, a previsibilidade. Tanto no masculino quanto no feminino, os finalistas não surpreenderam. Nadal e Federer há tempos dominam o circuito, enquanto Serena Williams e Dinara Safina estão entre as representantes mais fiéis do tênis força que predomina entre as mulheres.

Lado B

Além dos jogos transmitidos pela ESPN, pude assistir também a jogos menos badalados, transmitidos ao vivo pela Internet. Obviamente o foco está na quadra central, onde jogam tenistas mais bem rankeados, mas muitas vezes os jogos mais emocionantes, mais “pegados” e que dão um charme especial ao torneio, estão nas quadras menores, que contam com uma maior participação do público.

Jogos marcantes

A batalha da potência

Fernando Gonzalez 3 x 2 Richard Gasquet

A melhor direita do circuito (Gonzalez) contra a melhor esquerda (Gasquet). Não precisa falar mais nada. Os dois quase abriram um buraco na quadra de tão potentes os golpes durante as mais de 4 horas de jogo, que acabou em um emocionante 12 x 10 para o chileno no quinto set.

Show de técnica da dupla mais descontraída do circuito

Novak Djokovic 3 x 1 Marcos Baghdathis

Para quem aprecia a boa técnica, o jogo foi excelente. Além disso, ambos jogam com muita raça e com um toque de descontração, trazendo um algo a mais para a partida. No final prevaleceu a maior consistência de Djokovic.

A surra

Roger Federer 3 x 0 Juan Martin Del Potro

O jogo foi válido pelas 4as de final de um Grand Slam, mas parecia um treino de um profissional com um principiante. O argentino não sabia aonde se esconder ao final da partida após ter levado uma “bicicleta” do suíço (6-3, 6-0, 6-0). Serviu para baixar um pouco a bola de Del Potro, que pelos últimos resultados já estava se sentindo um astro do tênis. Ele é muito bom, mas, por enquanto, vamos parar por aí.

O embate da armada espanhola

Rafael Nadal 3 x 2 Fernando Verdasco

Jogo para entrar na história. Foram 5h14 de muita intensidade. Infelizmente não pude assistir à partida na íntegra, mas em função do que vi já dá para imaginar como foi a batalha. Aqui vai uma constatação: alongar uma partida contra Rafael Nadal não significa que você está próximo de vencê-lo e sim, que você está cada vez mais longe do triunfo. Além de seus golpes precisos, a combinação força física e mental do espanhol raramente pode ser equiparada.

O clássico

Rafael Nadal 3 x 2 Roger Federer

Nadal definitivamente encontrou a fórmula para vencer Federer. Em um jogo em que ambos estiveram muito bem, o diferencial foi o 5º set. Federer esteve irreconhecível desde o momento em que se viu em desvantagem. E aí não teve jeito, Nadal sufocou seu adversário conquistando, com muitos méritos, mais um título de Grand Slam.

 Outros destaques, positivos e negativos, do torneio

- A decepção com Andy Murray, que considero um jogador pronto para brigar pelo topo.

- O folclórico Fabrice Santoro, recordista em participações em Grand Slams, segue dando trabalho com seus golpes esquisitos e que incomodam demais os adversários.     

- Gilles Simon é um jogador muito promissor e não fosse a barreira Nadal, poderia ter ido mais longe.

- Fernando Verdasco fez um torneio impecável, superando com autoridade adversários melhores rankeados e jogando de igual para igual com Nadal.

 - As sérvias Ana Ivanovic e Jelena Jankovic estiveram longe de suas melhores performances e caíram precocemente.

- Elena Dementieva fazia um excelente torneio, parecia imbatível, mas falhou novamente em momentos decisivos. Não foi páreo para Serena Williams.

- Embora esteja longe de ser fã do tênis de Serena, tenho que admitir de que se trata de uma das maiores jogadoras da história. Passeou este ano na Austrália e já coleciona 10 títulos de Grand Slams.

- Surpresa positiva foi Carla Suarez Navarro, tenista espanhola muita agressiva e com uma belíssima esquerda de uma mão, raridade entre as mulheres.

- Outro destaque é Dominika Cibulkova, que tem ganhado notoriedade no circuito. A bela eslovaca impressiona pela sua excelente movimentação em quadra, chega sempre bem nas bolas. Parece o básico do tênis, mas poucos conseguem manter esse ritmo durante toda a partida.

- A grande sensação do lado feminino foi Jelena Dokic.  Nascida na antiga Iugoslávia, naturalizada australiana, a promissora tenista que surgiu no final da década de 90 e atingiu a 4ª posição do ranking em 2002, praticamente abandonou o esporte por alguns anos devido a problemas particulares, que interferiam diretamente na sua carreira. Sua volta em grande estilo no AO é a esperança de que tenhamos de volta uma tenista talentosa, que pode dar um brilho especial ao circuito.

 

A temporada está só começando!

 

Daniel de Oliveira

Thomaz Bellucci e Marcos Daniel perdem na primeira rodada do Australian Open (21/01/09 – 00h33)

O que dizer de mais uma previsível derrota de primeira rodada dos representantes brasileiros? Acredito que a indiferença demonstrada pelos meios de comunicação já diz tudo: o tênis nacional morreu. Antes, por mais que soubéssemos das dificuldades de piso e forma física, Guga atraía as pessoas e elas sofriam e comemoravam juntas. Hoje, a aparente impossibilidade de se passar da primeira rodada já mostra que infelizmente Guga é passado e distante.

Para piorar a situação de Marcos Daniel e Thomaz Bellucci, as suas derrotas vieram contra inexpressivos adversários. Daniel ainda enfrentou um jogador com bom saque, o que poderia atrapalhá-lo um pouco mais, além de o francês Jeremy Chardy ter um ranking melhor (68 contra 101 do brasileiro). De qualquer forma, Marcos Daniel perdeu a chance de enfrentar Djokovic na segunda rodada.

Thomaz Bellucci é a maior frustração. Reconhecidamente um jovem de talento, Bellucci tem um bloqueio técnico e/ou psicológico para fechar jogos. Com isso, conseguiu incríveis derrotas ao longo do ano passado e em 2009 também. Desta vez, conseguiu perder para um taiwanês totalmente desconhecido, Yen-Hsun Lu, mesmo tendo várias oportunidades de break point.

Infelizmente, Bellucci corre sério risco de repetir o insucesso de outros brasileiros que puderam brevemente sentir o gosto de ser top100 e depois amargar uma queda brusca no ranking. Veremos com o tempo qual será o desfecho de sua história, já que no momento ele (ainda) parece ser a única esperança de um tênis brasileiro bem representado. O que é intolerável são os comentários que circulam na internet, dizendo que o tenista estava fora de ritmo. Caso isso seja verdade, apenas reforçaria o conceito da falta de preparo e profissionalismo no esporte local.

Edu K
Esporte Diário

Aberto de São Paulo: boa experiência para alguns, sinal de decadência para outros (09/01/09 – 18h00)

O Aberto de São Paulo é um torneio de tênis que tem se caracterizado pela mescla entre jovens jogadores e jogadores em decadência. Ano após ano observamos nomes como Marcos Daniel, Thiago Alves, Flávio Saretta se destacando nesse torneio e disputando o título com alguns tenistas sul-americanos de pouca expressão. A pergunta que fica é a seguinte: Vale à pena insistir em torneios como esse e deixar de lado os torneios do Circuito da ATP? É claro que torneios como esse tem sua função, que é a de revelar jovens tenistas. Mas os mais experimentados poderiam fazer outras opções. Vejo em Thomaz Bellucci uma exceção. Jogou esse torneio enquanto era uma revelação e precisava de experiência. Para esse ano seu planejamento foi outro. Seguiu para a Austrália, mesmo tendo que disputar o qualificatório para entrar na chave principal de alguns torneios. E por que fez isso? Provavelmente porque tem aspirações no Circuito Mundial. Quanto mais ele jogar torneios importantes da ATP, maior será a chance de evoluir. Infelizmente essa não parece ser a mesma estratégia da maioria. Enquanto a mentalidade for essa, dificilmente teremos tenistas brasileiros se destacando no ranking. Torço para que Bellucci tenha êxito. Quem sabe assim os próximos sigam o mesmo caminho.

Daniel de Oliveira

“Destaques” do tênis feminino (22/12/08 – 18h45)

É certo que o ano do circuito mundial feminino de tênis não foi dos melhores. O nível técnico ficou abaixo do esperado. Dentre as principais tenistas, Ivanovic e Sharapova sofreram contusões que atrapalharam. A russa ficou inativa no 2º semestre. As irmãs Williams seguem com a estratégia de disputar apenas os principais torneios, a fim de pouparem a condição física. E quando jogam, dificilmente dão chances às suas adversárias, mas é notório que já não têm a mesma vitalidade de alguns anos. Jankovic, Dementieva e Safina aproveitaram e se destacaram no ranking, mas não tem o mesmo brilhantismo das anteriormente citadas. Por isso, a WTA, que luta para ter a mesma importância da ATP, segue com dificuldade para atingir seu objetivo.

Em um ano de poucos destaques pelo desempenho dentro das quadras no circuito feminino, vale a pena destacar a recente pesquisa divulgada pelo site especializado TennisReporters.net realizada com seu leitores sobre os melhores da temporada, no masculino e no feminino, em diversos quesitos: jogador(a) do ano, jogador(a) que mais rvoluiu, etc. Uma categoria que chama muito a atenção, e que talvez seja a grande responsável pela continuidade do interesse geral no tênis feminino é a categoria das jogadoras mais sexy. O resultado deste ano apontou a seguinte preferência popular:

Ana Ivanovic

42.5%

Maria Sharapova

20.4%

Maria Kirilenko

14.2%

Elena Vesnina

6.2%

Serena Williams

6.2%

Sorana Cirstea

3.5%

Dominika Cibulkova

2.7%

Carolina Wozniacki

2.7%

Ashley Harkleroad

0.9%

Alize Cornet

0%

A lista é boa: as 3 primeiras colocadas (Ivanovic, Sharapova, Kirilenko) não necessariamente nessa ordem, são indiscutíveis. Faço ainda menção honrosa para Dominika Cibulkova e Elena Dementieva (que não parece na lista)

Maria Sharapova

Maria Sharapova

 

Maria Kirilenko

Maria Kirilenko

Ana Ivanovic

Ana Ivanovic

Elena Dementieva

Elena Dementieva

 

Dominika Cibulkova

Dominika Cibulkova

Esperamos que em 2009, com um calendário mais organizado e menos extenso, possamos desfrutar de grandes torneios da WTA Tour, com todas as tenistas saudáveis e jogando seu melhor tênis, e é claro, sem deixar de lado o charme, característica ainda preponderante do circuito feminino.

Daniel de Oliveira

O dia em que o mundo do tênis se curvou a Guga pela última vez (06/12/08 – 01h00)

Diante do período de férias do circuito de tênis, o melhor a fazer é relembrar o que de mais importante ocorreu neste ano. Sem dúvida o momento mais marcante do tênis mundial no ano e do tênis brasileiro em toda a história foi a despedida de Guga.  

Era uma tarde ensolarada de domingo em Paris, primeiro dia de torneio, no belíssimo parque que abriga anualmente o mais charmoso de todos os torneios – Roland Garros.  Mas não era um dia comum, pelo menos para mim. Eu estava lá, sim, iria acompanhar o jogo de despedida de Guga, o maior tenista da história do Brasil. É difícil até de descrever o que se passou. Sempre fui fã de tênis e obviamente gostava de assistir aos jogos de Guga. Mas nada se compara a essa partida. Nos últimos anos de carreira de Guga, não conseguia entender como um jogador que fazia partidas fenomenais poderia estar praticando um tênis abaixo da crítica. Confesso que cheguei a duvidar da real gravidade de sua contusão, achei que ele tinha perdido a mão mesmo. Ainda bem que percebi que estava plenamente equivocado, mas ainda tinha um pé atrás até o referido dia. O que presenciei nesse dia não foi uma partida e sim uma demonstração de como reverenciar um ídolo. Guga marcou história em Roland Garros, com 3 títulos, mas talvez em nenhum deles a emoção do público presente e do protagonista do espetáculo foi tão grande como a da despedida. Foi nesse dia que percebi que ele era um fenômeno, que toda a desconfiança que tive dele era uma grande besteira. Muitos brasileiros estavam presentes e talvez tenham sentido o mesmo que eu: orgulho de um brasileiro que faz parte da história do tênis. Está entre os maiores, até porque conseguiu superar algumas vezes seus contemporâneos e gênios Pete Sampras e Andre Agassi.

Arquivo Pessoal 

Fonte: Arquivo Pessoal

Para sempre na memória estará aquele jogo: na minha, na de todos que estiveram presentes, na de Paul-Henri Mathieu (que teve uma atitude muito digna durante todo o período em que esteve em quadra, sabendo reconhecer que o jogo era para Guga),  e é claro na de Guga. A imagem mostra a emoção do campeão, aplaudido de pé pelo público, mas que também sente a dor de ter que abdicar do restante de sua carreira por uma lesão que tirou o prazer e a condição de jogar, mas que não atrapalhou em nada a brilhante história que Kuerten construiu, em um país que não dá a mínima para o tênis.

Allez Guga!!!
Daniel de Oliveira